‘Nem tinha sobrenome’: ajudante de cozinha de Piracicaba que passou 50 anos sem filiação no RG consegue direito a DNA

A História de Maria Aparecida em Piracicaba

A auxiliar de cozinha Maria Aparecida Pereira, residente em Piracicaba (SP), viveu por mais de 50 anos sem um sobrenome em seu documento de identidade. Desde que foi adotada quando criança, Maria se deparou com a dura realidade de que sua certidão de nascimento não incluía os nomes de seus pais biológicos, além de registrar seu sexo de maneira incorreta. Em busca de uma solução, Maria decidiu solicitar auxílio à Defensoria Pública do Estado de São Paulo para atualizar seu registro civil.

Desafios da Filiação No Registro Civil

No município de Piracicaba, um total de 2.381 cidadãos ainda não possuem o nome paterno em suas certidões de nascimento. Uma situação similar pode ser observada em Limeira, onde 1.738 registros apresentam a mesma questão. Esses números ajudam a demarcar como a falta de informação sobre a paternidade pode impactar a vida de tantas pessoas, gerando dificuldades em diversos aspectos, desde questões emocionais até acessos a direitos legais.

Importância do Reconhecimento de Paternidade

O reconhecimento formal da paternidade é crucial não apenas para a construção da identidade da pessoa, mas também para garantir acesso a direitos fundamentais. De acordo com Carolina Brambila Bega, coordenadora da Defensoria Pública em Piracicaba, a inclusão do nome do pai na certidão de nascimento proporciona a regulamentação das relações familiares, permitindo exigir pensão alimentícia e reivindicar heranças, além de outros benefícios previdenciários.

reconhecimento de paternidade

Dados sobre Filiações em Piracicaba

Estatísticas recentes revelam que na área de Campinas, que abrange cidades como Americana e Sumaré, cerca de 10.652 crianças estão sem o nome do pai em seus registros, situação que persiste desde 2016. A defasagem nos registros de paternidade é uma realidade que atinge milhares de famílias, refletindo a urgência de iniciativas que visem sanar essa falta.

Campanha ‘Meu Pai Tem Nome’

Para promover o reconhecimento de paternidade, a Defensoria Pública lançou a campanha ‘Meu Pai Tem Nome’, que oferece atendimento gratuito à população. O mutirão ocorrerá em 1º de agosto de 2026, com inscrições abertas até 30 de julho do mesmo ano. O programa pretende atender a todos que buscam regularizar sua situação de filiação e obter informações adicionais sobre seus direitos.



Como Funciona o Mutirão de Reconhecimento de Paternidade

O mutirão contará com a presença de funcionários de cartórios e do Instituto de Medicina Social e de Criminologia (Imesc). Durante o evento, serão oferecidos diversos serviços, incluindo:

  • Exame de DNA gratuito: Realizado na hora.
  • Reconhecimento voluntário de paternidade: Seja biológica ou socioafetiva.
  • Acordos sobre pensão alimentícia: Discussões sobre guarda e visitas.
  • Orientação jurídica: Para aqueles que necessitam abrir ações judiciais.

Vantagens do Exame de DNA Gratuito

O exame de DNA é um passo essencial para o reconhecimento jurídico da paternidade. Ele não apenas confirma o laço biológico entre pai e filho, mas também abre portas para que o pai reconheça sua paternidade de forma oficial. Essencialmente, o exame proporciona segurança jurídica e facilita a regularização de documentos que, de outra forma, continuariam incompletos.

Impacto Emocional do Registro de Paternidade

Para muitos, como é o caso de Maria Aparecida, oanda regularização e reconhecimento da paternidade envolve um profundo impacto emocional. A auxiliar de cozinha expressou seu desejo de não apenas ter seu nome correto, mas também de se conectar com suas raízes. “É importante saber a quem você pertence e de onde vem”, afirmou Maria, refletindo a necessidade de identidade e pertencimento que muitos sentem.

Histórias de Outras Pessoas Sem Registro

Maria Aparecida não está sozinha em sua luta. Muitas histórias semelhantes emergem, como a da auxiliar de limpeza Andréia Pereira Barbosa, que há anos tenta regularizar o registro de seu filho mais velho e enfrenta a recusa do ex-companheiro em assumir a paternidade. Assim como Andréia, outras mães também buscam o reconhecimento de seus filhos perante a lei, enfrentando obstáculos emocionais e burocráticos ao longo do caminho.

Próximos Passos para Regularização de Documentos

Os interessados em participar do mutirão devem estar atentos aos prazos, com inscrições até 30 de julho. As instruções podem ser acessadas através do site da Defensoria Pública de São Paulo, utilizando a assistente virtual Júlia. O atendimento presencial ocorrerá em mais de 60 locais no estado, abrangendo cidades como Americana, Artur Nogueira, Campinas, Limeira, Piracicaba e Sumaré.



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