A costureira Doralice Maria da Silva, moradora de Sumaré (SP), aguarda há dez anos uma decisão judicial sobre o benefício do INSS, após ter pedidos negados pelo órgão. Ela afirma que problemas de saúde a impedem de voltar ao trabalho.
Doralice conta que precisou deixar a profissão em 2013, depois de desenvolver depressão grave. Mais tarde, recebeu outros diagnósticos e passou por cirurgias na cabeça.
Em Campinas (SP), Luiz Carlos Benassi também espera uma solução previdenciária. Ele pediu aposentadoria em fevereiro de 2025 e afirma que um recurso aprovado em junho de 2026 ainda não resultou na implantação do benefício.

Entre 1º de janeiro e 18 de outubro de 2026, a Ouvidoria da Controladoria-Geral da União (CGU) registrou 10.175 reclamações e denúncias relacionadas ao INSS em São Paulo. A demora foi a principal queixa, enquanto o instituto informou que a fila de requerimentos em análise diminuiu ao longo do ano.
Costureira de Sumaré aguarda decisão judicial após negativas do INSS
Doralice afirma que recebeu auxílio previdenciário por dois anos, mas os pagamentos foram interrompidos. Desde então, contesta avaliações que concluíram que ela não tinha incapacidade para o trabalho.
Em nota, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou que os pedidos de auxílio por incapacidade temporária apresentados por ela em 2021 e 2023 foram negados após avaliação da Perícia Médica Federal. O órgão também disse não haver registro de novos pedidos depois de 2023.
A costureira relata que apresentou exames de imagem, laudos médicos e outros documentos durante a perícia. Segundo ela, a negativa apontou falta de comprovação da incapacidade e ausência de documentos necessários.
Doralice também menciona fibromialgia, problemas na coluna, dores intensas, dificuldades de memória e problemas para dormir, mesmo com o uso de medicamentos. Após questionar o resultado da perícia na Justiça, ela aguarda uma decisão em um processo que, segundo seu relato, está parado há cerca de quatro anos; sem renda, conta com a ajuda da sogra, de 84 anos, para despesas básicas.
Em Campinas, aposentadoria reconhecida ainda não foi implantada
Luiz Carlos Benassi recorreu à 16ª Junta de Recursos do INSS depois que o pedido de aposentadoria foi negado inicialmente. Segundo o segurado, o colegiado aprovou o recurso por unanimidade, mas o pagamento ainda não foi implantado.
Benassi afirma que, mesmo após a decisão favorável, o instituto voltou a questionar o direito à concessão. Ele procurou a Ouvidoria para pedir providências e recebeu a informação de que o órgão poderia cobrar uma resposta, mas não garantiria a implantação do benefício.
Sem emprego nem renda própria, o morador de Campinas diz depender da ajuda da filha para pagar as despesas da casa, inclusive o aluguel. O INSS informou que o processo está em análise pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS).
Reclamações por demora e redução da fila de pedidos em São Paulo
Entre janeiro e 18 de outubro de 2026, a Ouvidoria da Controladoria-Geral da União (CGU) contabilizou 10.175 reclamações e denúncias relacionadas ao INSS em São Paulo. No mesmo período de 2025, foram 11.683 manifestações, uma queda de cerca de 12,9%.
A demora na análise de requerimentos, serviços e recursos liderou as queixas, com 2.311 registros. Outros 1.578 apontavam demora na avaliação de benefícios por incapacidade, enquanto 1.438 tratavam do reconhecimento inicial de direitos e serviços.
As manifestações também incluíram 998 reclamações sobre demora na manutenção de benefícios e 772 relacionadas a revisões. Em Campinas, o INSS informou que os pedidos pendentes passaram de aproximadamente 11,8 mil no início de 2026 para 5.517, dos quais 557 aguardavam análise havia mais de 45 dias.
No estado, a fila caiu de 482 mil processos no início do ano para 204 mil no fim de setembro; cerca de 20 mil estavam pendentes havia mais de 45 dias. O gerente de projetos da Presidência do INSS, Renato Mousinho, atribuiu a redução a concurso público, mutirões nos fins de semana e análise documental, e informou que a espera média no estado era de 17 dias, quase 60% menor que no início do ano.

