A Ultragaz apresentou uma tecnologia de abastecimento de caminhões a biometano no início das operações do Corredor Verde, projeto da TransJordano. A solução, segundo a empresa, foi desenvolvida para atender à rotina do transporte de cargas.
O projeto foi apresentado em outubro, durante evento promovido pela TransJordano em Sumaré (SP). A iniciativa reúne fornecimento de combustível renovável e infraestrutura para o transporte rodoviário.
O Corredor Verde conecta Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, com ligação à região do Porto de Santos. A infraestrutura será operada pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano, e poderá atender outras transportadoras.

O avanço ocorre em um mercado em expansão: segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), a produção nacional cresceu em 2025. O projeto também aborda a redução de emissões e a mensuração dos resultados para empresas contratantes.
Corredor Verde conecta cidades do interior ao Porto de Santos
O eixo logístico do projeto tem cerca de 450 quilômetros e liga áreas do interior paulista à região portuária. A extensão foi apresentada como parte da estrutura de abastecimento para o transporte de cargas com combustível renovável.
A iniciativa prevê incorporar 100 caminhões movidos a biometano até dezembro de 2026. A meta associa a expansão da frota à implantação do corredor entre os pontos previstos no projeto.
Com a frota completa, a projeção é que os veículos percorram aproximadamente 5,5 milhões de quilômetros por ano usando biometano. Esse volume corresponde a cerca de 17% da quilometragem anual da TransJordano.
Tecnologia de abastecimento e crescimento do biometano no Brasil
A solução apresentada pela Ultragaz permite abastecer caminhões em aproximadamente 8 a 10 minutos, conforme as condições técnicas divulgadas pela companhia. O tempo busca se adequar à rotina operacional do transporte comercial.
Na comparação apresentada pelo diretor de Gases Renováveis da Ultragaz, Erik Trencht, sistemas de referência podem exigir potência elétrica instalada de 300 a 400 kVA e levar de 20 a 40 minutos para abastecer. No Corredor Verde, a potência instalada é da ordem de 40 kVA.
Trencht descreveu a solução como uma combinação de velocidade, baixa potência instalada e eficiência operacional. A tecnologia é utilizada no projeto com biometano fornecido pela Ultragaz.
Redução de emissões e integração entre empresas do transporte
Segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), a produção nacional cresceu aproximadamente 75% em 2025 e chegou a 1,06 milhão de metros cúbicos por dia. O combustível é obtido pela purificação do biogás produzido a partir de resíduos de aterros sanitários, da agropecuária e da indústria sucroenergética.
Estudo divulgado em 2025 pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimou que o potencial economicamente viável de biometano de origem agropecuária poderia equivaler a cerca de um terço do consumo nacional de gasolina e diesel, consideradas as condições analisadas. A conversão desse potencial em uso efetivo depende de investimentos em produção, distribuição, infraestrutura e veículos.
Joyce Bessa, diretora de ESG e Relações Institucionais da TransJordano, informou que a projeção do Corredor Verde é evitar a emissão de 6.486 toneladas de CO₂ por ano. O cálculo considera a incorporação integral da frota e será submetido à verificação independente da Bureau Veritas.
A TransJordano também prevê disponibilizar às empresas contratantes relatórios sobre as emissões associadas às cargas transportadas. Como o transporte de mercadorias integra o Escopo 3 de muitos embarcadores, esses dados podem apoiar o acompanhamento das metas de redução de emissões dessas organizações.


