A operação de trens double stack da Brado Logística movimentou 468,8 mil toneladas no primeiro semestre de 2026, segundo informações da companhia. O sistema transporta contêineres empilhados em um corredor ferroviário entre São Paulo e Mato Grosso.
O projeto começou a ser estruturado em 2017, quando engenheiros da Brado e fornecedores de vagões visitaram operações nos Estados Unidos. A tecnologia entrou em funcionamento no Brasil em 2019, após adaptações na ferrovia.
A operação percorre mais de 1,4 mil quilômetros entre Sumaré (SP) e Rondonópolis (MT), atendendo cargas do mercado interno e de atividades de importação e exportação. Grãos especiais, insumos agrícolas, algodão e nutrição animal estão entre os produtos transportados.

Segundo a Brado, a expansão do volume envolve mudanças na infraestrutura e na composição dos trens, além de sistemas próprios de fixação dos contêineres. A companhia informa ter 33 locomotivas, cerca de 4,7 mil contêineres e mais de dois mil vagões.
Crescimento do volume e perfil das cargas transportadas
Segundo a Brado Logística, o volume transportado no primeiro semestre de 2026 cresceu 10% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram movimentadas 423 mil toneladas. A alta foi registrada no corredor ferroviário operado pela companhia.
Entre os contêineres cheios transportados nesse sistema, os grãos especiais responderam por 45% no primeiro semestre de 2026. Os insumos agrícolas representaram 12%, enquanto a pluma de algodão e a nutrição animal tiveram cerca de 9% de participação cada.
No consolidado de 2025, os trens double stack movimentaram 48,4 mil contêineres, que somaram 931,4 mil toneladas brutas. De acordo com a Brado, as cargas atendidas nesse período estavam principalmente ligadas às cadeias do agronegócio.
Adaptações da ferrovia, segurança dos contêineres e estrutura operacional da Brado
A implantação exigiu intervenções em cerca de 60 pontos da ferrovia, incluindo o remanejamento de redes elétricas e de telefonia. Também foram elevados viadutos e rebaixados trechos da linha para permitir a passagem dos trens na configuração empilhada.
Com os contêineres carregados em dois níveis, a composição chega a 5,87 metros de altura. A Brado também informa que a configuração dos vagões permite transportar aproximadamente 40% mais contêineres do que os trens tradicionais.
A formação anterior tinha 58 vagões e capacidade para 116 contêineres. Atualmente, são 65 vagões, que podem levar até 130 contêineres por composição; a operação movimenta cerca de 4,1 mil contêineres double stack por mês.
Para manter as unidades posicionadas durante o percurso, a companhia desenvolveu dois sistemas de travamento: um para o contêiner do nível superior e outro para fixar as unidades empilhadas entre si. Laion Suprano, gerente do terminal da Brado em Sumaré, explicou que cada mecanismo tem uma função específica na segurança da composição.


