A Estratégia da Brado para o Gás Natural Liquefeito
A Brado Logística iniciou um inovador projeto destinado a minimizar as emissões no transporte rodoviário de cargas. Em vez de modificar sua própria frota, a estratégia da empresa foca em criar um ambiente favorável para que transportadoras parceiras adotem caminhões movidos a gás natural liquefeito (GNL). Esse plano faz parte dos esforços da Brado em sua jornada de descarbonização.
O fabricante multinacional de logística combina rodovias e ferrovias em suas operações. Embora a ferrovia continue sendo a principal ferramenta para reduzir emissões, a Brado reconhece a necessidade de incorporar combustíveis alternativos nas rotas rodoviárias para avançar em sua transição energética.
A Importância da Multimodalidade no Transporte
A operação da Brado foi iniciada com um corredor entre São Luís e Davinópolis, no Maranhão, em colaboração com a Virtu GNL. Este trajeto conecta os clientes da área ao terminal multimodal da Brado, de onde as cargas são transportadas via ferrovia até Sumaré (SP). Esta rota possui aproximadamente 2,7 mil quilômetros e atualmente é uma das maiores operações ferroviárias de contêineres do Brasil.

A escolha deste corredor não foi acidental. A rota foi selecionada com base em fatores cruciais que garantem o retorno do investimento em caminhões a GNL, incluindo previsibilidade de carga, um fluxo constante e adequado suporte de infraestrutura.
Desafios e Oportunidades da Adoção do GNL
De acordo com Michelle Braga, gerente executiva de contratação rodoviária, suprimentos e inovação da Brado, “para que o uso do GNL seja financeiramente viável, é essencial garantir produtividade no transporte”. Essa abordagem busca dar estabilidade de volume e constância para que o investimento em veículos a gás natural valha a pena para os parceiros relacionados.
Como o GNL Pode Reduzir Emissões no Transporte
A Brado não possui uma frota própria, operando com um sistema de transporte totalmente terceirizado. A empresa colabora com transportadoras contratadas que se localizam perto dos terminais. Hoje, mais de 200 veículos de parceiros operam cotidianamente na empresa, com uma concentração significativa no Mato Grosso e Sumaré.
No projeto juntamente com a Virtu GNL, mais de 80 veículos foram autorizados para funcionar com GNL. Atualmente, cerca de 10 a 15 caminhões estão efetivamente em operação sob este acordo. Como os caminhões a GNL possuem um custo de aquisição mais elevado do que os tradicionais a diesel, a Brado estabeleceu contratos de longo prazo e rotas dedicadas para atenuar os riscos envolvidos para os transportadores.
O propósito é maximizar a utilização desses veículos, garantindo um retorno positivo para o investimento. A previsibilidade do trajeto é crucial, assim como um fluxo equilibrado de transporte, onde os caminhões levam cargas para o terminal de Davinópolis e retornam com produtos do Sudeste para o Nordeste, evitando viagens desnecessárias sem carga.
Perspectivas para a Infraestrutura do GNL
A boa infraestrutura de abastecimento é um fator determinante para o sucesso do projeto. A Virtu GNL tem depósitos em Balsas e Santo Antônio dos Lopes (MA), além de Parauapebas (PA), o que possibilita atender a rota inicialmente escolhida.
A Colaboração com Transportadoras Parceiras
Embora a introdução de caminhões a gás seja uma nova adição à operação da Brado, a ferrovia permanece como o pilar central da estratégia ambiental. O transporte ferroviário pode oferecer uma redução de mais de 80% nas emissões de CO₂ em comparação com operações exclusivamente feitas por caminhões a diesel. Em 2025, a operação multimodal da Brado evitou aproximadamente 306,4 mil toneladas de CO₂, com esta quantidade representando a redução obtida para os clientes que utilizam a solução integrada da empresa.
Benefícios Econômicos da Descarbonização
A Brado também investe na eficiência ferroviária, implementando locomotivas modernas e usando vagões double stack, aumentando a capacidade de transporte. Esta tecnologia é aplicada particularmente na Malha Norte, onde a Brado é a única operação desse tipo no país.
Estatísticas Sobre Emissões de CO₂ no Setor
Além do GNL, a Brado está atenta ao desenvolvimento do biometano como uma alternativa com menores emissões. Embora os caminhões elétricos sejam mais adequados para operações de curta distância devido à sua autonomia limitada, a empresa pretende expandir gradualmente o uso de veículos de menor impacto em outros corredores logísticos, principalmente em São Paulo.
Os projetos de expansão nos próximos anos prevêem um crescimento entre 20% e 30% das rotas rodoviárias em São Paulo. Esse aumento oferece espaço para novas iniciativas de descarbonização.
Inovações Tecnológicas no Transporte Rodoviário
Para a Brado, a redução das emissões não é apenas uma preocupação ambiental; é uma parte estratégica de seu modelo de negócios. A combinação do transporte ferroviário com soluções logísticas que utilizam combustíveis alternativos convida empresas a adotar essa prática, oferecendo competitividade e segurança operacional.
O Futuro da Logística Sustentável no Brasil
Com uma receita líquida de R$ 790 milhões em 2025, a Brado constatou um crescimento de 16% em comparação ao ano anterior, e a expectativa para 2026 é de uma elevação de 11%. Durante esse tempo, a companhia movimentou 119,5 mil contêineres, mantendo sua posição de liderança no transporte ferroviário conteinerizado, com 86% da movimentação nacional em toneladas por quilômetro útil (TKU).
Assim, a Brado se compromete a aumentar, de forma gradual, a participação de combustíveis alternativos no transporte rodoviário, enquanto assegura que a ferrovia continue como o principal vetor na redução de emissões, utilizando os caminhões menos poluentes como um complemento na cadeia logística.


